domingo, 5 de julho de 2015

DESIGN "TICKING". Do Rio de Janeiro, em 5 de julho de 2015.


Isso mesmo... tic-tac... tic-tac... tic-tac...

Lê-se, hoje, n'O Globo (caderno Boa Chance, P. 6), a seguinte nota:

Profissão "designer" - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados aprovou, essa semana, em Brasília, o PL - Projeto de Lei - 4.692/2012, que visa ao registro oficial da ocupação. O próximo e último desafio é conseguir a aprovação do Senado Federal. Atualmente, são mais de 179 escolas espalhadas pelo país que oferecem o curso de "designer" de interiores. De acordo com a Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), mais de 80 mil profissionais da área já atuam no mercado de trabalho.

NOTA (minha): No mesmo ano de 2012, aliás, começou a funcionar no Brasil, o Sistema CAU, de Conselhos (Federal e Regionais) de Arquitetura e Urbanismo, entidade (criada pela lei 12.378/2010) de profissionais que tiveram a coragem e o desprendimento de sair de sob a fortíssima égide do CREA para seguir sua própria trilha, o seu próprio destino. Não se menciona, na matéria, mas o país é berço de "designers" nos mais diversos campos, tais como de paisagismo (Burle Marx), além do de arquitetura e urbanismo (Oscar Niemeyer e Lucio Costa), mobiliário (Sergio Rodrigues e Joaquim Tenreiro), e de marcas (Aloisio Magalhães, criador da marca da UERJ, pontuo), entre outros.

Enquanto isso...

Uma categoria de profissionais formada na esteira de uma área consagrada no país desde 1914, (apenas 8 anos depois de sua criação nos Estados Unidos), que teve seu pioneiro curso de especialização na FGV, em 1953 (da qual meu professor - e mentor - Manoel Maria de Vasconcellos foi aluno), e a fundação de sua primeira ONG, a ABRP, em 1954 - base, também, da reivindicação de ser considerada a atividade mais que ocupação, uma profissão regulamentada - coloca-se omissa e declinante de registros (apesar da centena de escolas idem espalhadas pelo país), justamente no momento em que vislumbra (logo ali, em setembro) sua autonomia e independência acadêmicas, com as novas DCNs - reflexo da importância que a gestão de relacionamentos e de reputações ganhou em todos os círculos de negócios, além do Estado e do Terceiro Setor.

O tempo passa para todas... as atividades

No nosso caso, das Relações Públicas brasileiras, temos um capital imenso - este é meu juízo - com lei, regulamentação, doutrina, jurisprudência firmada, estrutura de conselhos regionais e federal, formação em nível de graduação a doutorado, uma base de muito mais de 100 mil formados e potencial de mais de 30 mil registros ativos - entre pessoas físicas e jurídicas, além das posições no serviço público (que em 90% dos casos cumpre a lei - em 10% não cumprida por desconhecimento e incompetências de setores de RH estatais e privados - cuja maioria esmagadora é corrigida após a intervenção do Sistema Conferp-Conrerp), e vamos deixar isto ser tomado pela sanha desregulamentadora, mãe da "financeirização", terceirizações e precarização do trabalho, mundo afora? Vamos deixar nosso mercado ser tomado por jornalistas (e outrem) em desvio de função, praticando - só - imoral tráfico de influência? Até quando assistiremos a oportunistas lutando pela mudança de leis e regulamentos para - além de imorais, ilegais e antiéticos - tornarem-se "legais", "regulares", "exemplares"?

Oportunismo, arrivismo, má-fé e mau-caratismo

Lembremos o caso da lei discricionária de Getúlio Vargas, que editou-a apenas para atender a UMA pessoa, na maior canetada da nossa história republicana. Pois é, há um verdadeiro pelotão de pessoas trabalhando para que algumas, senão uma pessoa, aufira o registro de relações-públicas. Mas não se trata, este, de um mero caso de parentela - ou só compadrio - como no da lei discricionária sancionada por Getúlio Vargas - caso muito bem contado, aliás, no livro "Chatô, o rei do Brasil", de Fernando Morais - a qual deu acesso individual a um (suposto) "direito", mas a abertura de uma brecha, o verdadeiro arrombamento (aqui, agora, e alhures - há tempos - já anunciado) de uma porteira que dizimará nossa querida, e única no mundo, formação superior; aquela forjada na ideia sueca (Suécia: "mátria" da profissão) de "ombudsman" (quando somos, nas organizações, representantes de quem está fora dela) e não pela simples "tomada da mídia" pelo poder das "corporações-clientes" via suas poderosas assessorias "de imprensa" - autêntica jabuticaba brasileira com os dias contados sob tal rótulo e, por isso, necessitada urgente da nossa denominação ("public relations") - que é universal.

Robert Zemeckis inspira

Depois disso virá o desmantelamento do próprio sistema de regulação da nossa (hoje) privativa responsabilidade técnica (R.T.) de "informação de caráter institucional" (nossos conselhos), e o fim dos cursos de graduação em RP (algo também já em curso, fruto da ação do mesmo pelotão). Ou seja, nossos diplomas - de verdade - como que desaparecerão, a exemplo - na ficção - das fotos familiares do personagem Marty McFly na saga cinematográfica de "Back to the future".

Quem viver - sem agir - verá.
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